Poeta Eterno
E quem sonhará por nós?
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Fuga/acomodação
Qual o limite entre a fuga e a busca pelo novo? Até onde é fugir, até onde é acomodar?
quinta-feira, 8 de março de 2012
Um memorável sabor de alma
Quê abalaria, àquelas horas da
noite - já consertadas suas existências auto afirmadas - uma alma controlada?
Tinha corpos que recitavam
poesia, outros travestindo carrancas... em síntese, incorporava uma dialética
fina, quase sem linha separadora. Os corpos todos sublimados sob o intenso
regime ditatório da consciência, afirmando apenas viver liberdade de escolha...
Dizia escolher a dimensão na qual
viveria, recebendo, assim, desafetos e calores nas faces rubro-contidas dos “universos
adversos” com os quais convivia, energias das quais sua consciência aprendera a
desviar, levando consigo corpo, alma e espirito para que não se afetassem por
estes mundos sem dono – ora alheios ora seus.
Pressuposto dizer que, aos
desavisados entender a liberdade como integrante da população de seus
sentimentos seria bobagem, derrubava as inquietações alheias com comandos
ardilosamente preparados para manter seu contato com o mundo de forma mais
controlada possível, e por fim, unia o mundo todo em todos somos Um. Assim recitava
a intensa marcha funérea para nosso incontido sentimento de apartabilidade... todos
somos Um.
Enquanto saboreava aos poucos
pequenos pedaços do que seria verdade, brincava de achar sentimentos, desvendar
pessoas, mundos, moléculas, ideologias... Enlaçava com as mãos a Via-Láctea-em-flor
no quintal de casa.
Lidava, quase impossivelmente,
tão bem com a contradição de ser/estar/permanecer e ainda lhe restava um
memorável sabor de alma na boca. Imaginava ser este o sabor que tinham suas
incursões pela física quântica, neurolinguística e autocontrole, nunca impunes,
as vezes mais alheias que suas.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Trecho de livro: Dostoievski
"Uma noite prodigiosa, uma dessas noites que talvez só vejamos quando somos novos (...) O céu estava tão fundo e tão claro que ao olhá-lo uma pessoa era forçosamente levada a perguntar-se se seria possível que debaixo de um céu daqueles pudessem viver criaturas más e tenebrosas. Questão esta que, para dizer a versade, só é costume levantar-se quando somos jovens, muito jovens mesmo, querido leitor. Prouvera a Deus que pudésseis reviver com frequência essa idade na vossa alma! Enquanto ia pensando assim em várias pessoas, é claro que acabava por recordar-me involuntariamente do panegírio que a mim próprio eu havia tecido, nesses tempos.
(...)Eu sou amigo de toda a cidade de São Petersburgo (...) Evidentemente que os outros não me conheciam; mas eu... eu os conheço. (...) Sim, posso dizer que uma vez cheguei quase a fazer uma amizade: foi com um homem já de idade (...) Tinha uma cara muito séria e pensativa, movia constantemente os maxilares, como se ruminasse qualquer coisa (...) ficamos quase a ponto de levar a mão ao chapéu, mas felizmente refletimos a tempo, deixamos cair as mãos e passamos um em frente do outro com visíveis sinais de mútua satisfação.
(...)
Disse já como durante três dias fui torturado por uma estranha inquietação, até que finalmente consegui descobrir a sua causa. Não me sentia bem na rua (não via este, nem tampouco aquele, nem aqueloutro, nem estoutro... "Por onde diabo andarão eles?"), e tambem não me sentia bem em casa. (...) Gastei inútilmente duas tardes investigando o que seria que me faltava entre as quatro paredes da minha casa. Porque me sentiria eu tão mal em casa?"
(...)Eu sou amigo de toda a cidade de São Petersburgo (...) Evidentemente que os outros não me conheciam; mas eu... eu os conheço. (...) Sim, posso dizer que uma vez cheguei quase a fazer uma amizade: foi com um homem já de idade (...) Tinha uma cara muito séria e pensativa, movia constantemente os maxilares, como se ruminasse qualquer coisa (...) ficamos quase a ponto de levar a mão ao chapéu, mas felizmente refletimos a tempo, deixamos cair as mãos e passamos um em frente do outro com visíveis sinais de mútua satisfação.
(...)
Disse já como durante três dias fui torturado por uma estranha inquietação, até que finalmente consegui descobrir a sua causa. Não me sentia bem na rua (não via este, nem tampouco aquele, nem aqueloutro, nem estoutro... "Por onde diabo andarão eles?"), e tambem não me sentia bem em casa. (...) Gastei inútilmente duas tardes investigando o que seria que me faltava entre as quatro paredes da minha casa. Porque me sentiria eu tão mal em casa?"
Aos interessados no trecho: é de Dostoievski, caso haja interesse, eu digo o nome do livro.
Assinar:
Postagens (Atom)